Uma dose de fé para proteger a saúde

Uma dose de fé para proteger a saúde

Pesquisas mostram que orações melhoraram até pressão arterial

A fé dos pacientes deixou de ser “aceita” pela ciência apenas quando o quadro do doente é extremamente grave, sem a menor chance de recuperação. Com o respaldo de pesquisas científicas, a evidência é que o efeito da espiritualidade na saúde não precisa ser limitado quando há dificuldade de cura. A fé pode ser preventiva.

Se antes recorrer à religião era ato comum em vítimas de câncer, aids ou qualquer outra doença que ainda desafia a medicina, agora as “doses de oração” já são recomendadas por alguns médicos para tratar e prevenir problemas mais simples como hipertensão, colesterol e diabetes.

Olivia Monteiro, arquiteta, 55 anos, afirma ter na pele, no sangue e na cabeça a reunião dos efeitos positivos da espiritualidade. Encontrou-se com a própria fé no diagnóstico do câncer da mama. Depois da cura, sente outros efeitos protetores de sua religião.

“Fiquei calma, sem estresse, não adoeci mais. Eu, que sempre aparentei ter mais idade do que a real, hoje me sinto mais jovem e os outros me dizem isso.”

Um dos cardiologistas mais conceituado do País, Roque Marcos Savioli, afirma que “com certeza, em questão de tempo, os médicos vão receitar fé aos seus pacientes, inclusive, para diminuir os custos de internação em hospitais”.

Savioli, que é diretor da Unidade de Saúde Suplementar do Instituto do Coração de São Paulo (Incor) e atua em uma comissão internacional para avaliar quando um caso médico pode ser considerado “milagre”, explica que os mecanismos por trás da boa influência da fé na saúde não são nada sobrenaturais e, sim, físicos.

“Um estudo internacional muito importante (publicado no Journal of Neuroscience, em 2001) realizou ressonância magnética no cérebro de religiosos no exato momento da oração”, diz. “Ficou atestado que a leitura do salmo ativa áreas cerebrais relacionadas ao sistema imunológico, o que protege corpo humano de várias doenças”, afirma.

Estilo de vida é determinante

A comprovação científica dos efeitos da fé na saúde fez com que a espiritualidade e a medicina ficassem mais próximas, depois de anos trilhando caminhos separados. No exterior, a partir do ano 2000, coleções de estudos e pesquisas foram realizadas para comprovar o uso terapêutico da reza, inclusive para benefício de terceiros.

No Brasil, os ensaios científicos do tipo ainda são escassos, mas a descoberta dos mecanismos internos da oração (em qualquer credo) como bons influentes em indicadores básicos de saúde despertou interesse nacional. No próximo Congresso Brasileiro de Cardiologia há uma real chance de que o tema fé seja apresentado à elite médica do País. O foco é a influência da espiritualidade na principal vilã cardíaca, a pressão alta.

Uma reunião de 16 estudos, analisados pela comissão do International Journal of Psychiatry in Medicine, encontrou em 14 deles uma relação positiva entre oração e menores níveis de hipertensão. Em um deles, foram acompanhados 3.632 indivíduos com mais de 65 anos e, os que rezavam ao menos uma vez por semana, tinham pressão 40% melhor. O cardiologista Roque Savioli acrescenta que, em geral, o efeito positivo da fé no organismo é promovido em quem era praticante da religião. Os descrentes, quando são avaliados, não têm vantagens com a reza.

Atestar que as consequências positivas da religião são evidentes somente em pessoas que têm fé é um forte indício, dizem os especialistas, de que a influência é mais relacionada ao estilo de vida da pessoa do que ao “poder da oração”.

O psiquiatra Frederico Leão, responsável pelo Programa de Saúde e Espiritualidade do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), diz que os benefícios de qualquer credo – católico, espírita, umbanda, evangélico – estão no apoio social que as entidades dão aos pacientes.

“Existe um estímulo por parte das instituições em incentivar hábitos saudáveis, uma qualidade de vida melhor, que funciona como fator protetor da saúde”, diz.

Hábitos de vida mais saudáveis por parte de quem frequenta qualquer instituição religiosa também são acrescidos de um outro benefício, diz Leão. Em novenas para santos, em dízimos para Jesus, em flores para Iemanjá ou oferendas a Buda, os fiéis encontram um propósito de vida. Este seria o ponto chave para definir o grupo de desenganados pela medicina que sobrevive e o que não consegue recuperar.

Efeito colateral

A fé que promete melhorar a saúde também pode ser prejudicial. Quando envolve fraude, fanatismo e enganação, em vez do efeito protetor, os riscos são aumentados. Os médicos afirmam que isso acontece quando há um abandono do tratamento convencional, remédios, medicamentos, terapias, para mergulhar em crenças e promessas de cura.

Em 2006, a imprensa noticiou o caso de Sandra, filha de Pelé, que morreu de câncer de mama. Declarações de uma médica na época informaram que ela, por acreditar em um milagre divino, foi resistente e recusou as sessões de quimioterapia. Achou que só Deus iria salvá-la.

De um modo geral, os especialistas acreditam que, quando os médicos estão mais preparados para lidar com as crenças religiosas dos pacientes há menos espaço para a influência de charlatões. Marlene Rossi, presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil afirma que as portas das universidades começam a ser abertas para a entrada da espiritualidade da saúde.

“Já há cursos optativos de Medicina e Espiritualidade na Universidade Federal do Ceará, na Faculdade Monteiro Lobato, em Porto Alegre, na Universidade Federal do Triângulo Mineiro, na USP e na Federal do Espírito Santo”, afirma.

Os médicos e a religião

Acreditar que a medicina caminha de costas para a religiosidade não é uma verdade brasileira. Pesquisa do Conselho Federal de Medicina (CFM), feita com sete mil médicos de todo País, atestou que a maioria é envolvida com a espiritualidade. Do total de entrevistados, apenas 13,6% afirmaram não ter nenhuma religião. Do restante, 62,9% disseram ser católicos, 11,5% espíritas, 7,3% protestantes e 4,7% de outras religiões. Além disso, 43,8% dos profissionais ouvidos relataram ser muito ou totalmente religiosos.

Para o presidente do CFM, Roberto D’ávila, independentemente de qualquer que seja a sua própria crença religiosa, o profissional médico deve respeitar e conversar sobre a religiosidade do paciente. Se o profissional adotar essa postura, D’ávila acredita que a mistura de oração e tratamento convencional só pode ser positiva.

Fonte: Fernanda Aranda para o delas.ig
Imagem: Google

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