Os cuidados com o excesso de trabalho

Os cuidados com o excesso de trabalho

Maiara Tortorette

Viver em função do trabalho é algo muito comum nos dias de hoje. No entanto, não deixa de ser preocupante quando as obrigações profissionais passam a ocupar também grande parte do tempo da vida pessoal. É importante que o profissional consiga encontrar tempo para suas rotinas normais, para compromissos com a família, amigos e outras atividades sociais, sem se preocupar com os relatórios ou a reunião da semana seguinte, por exemplo. Quando não se consegue mais separar as obrigações do lazer, é bem provável que seja um sinal de trabalho excessivo.

“O trabalho em excesso está mais relacionado ao envolvimento indesejado com uma determinada atividade ou função do que propriamente com a quantidade de horas dedicadas – ainda que esse aspecto não deva ser desprezado”, afirma o psicólogo Paulo Madjarof. “Quanto possível for a uma pessoa conciliar dedicação e realização em sua atividade de trabalho, menor serão os efeitos decorrentes do excesso, comumente atribuídos à exigência e necessidade. A dedicação cujo interesse privilegia exclusivamente os aspectos financeiros e a necessidade de provimento tende a ser altamente estafante, especialmente se houver baixo envolvimento com o trabalho desempenhado”.

Para Paulo, o trabalho não deve se tornar parte de todas as atividades que a pessoa realiza, cada coisa deve ser realizada em seu momento para que uma não interfira na outra. “O trabalho será prejudicial quando ocupar um espaço indevido na vida do profissional, extrapolando os limites de sua individualidade. Pode ser entendido quando o profissional se personifica em seu trabalho, quando contamina outras áreas de sua vida com seu ‘profissionalismo’”, explica. “A sociedade sob certo aspecto reforça esse comportamento à medida que subsidia um individuo em razão de seu status profissional, entretanto cabe ao profissional ter esse discernimento e saber que o nome da empresa não é o seu sobrenome”.

De fato existem momentos em que o profissional precisa dedicar um tempo maior para determinado projeto ou para uma decisão importante na equipe, no entanto, isso não deve se tornar uma constante. Quando esse período de dedicação ao trabalho não possui uma data ou prazo específico para terminar, é o momento de rever se não está havendo um exagero no tempo dedicado à profissão. Organizar as atividades e priorizar tarefas são fundamentais nessas situações.

“As pessoas mais organizadas levam vantagens, pois definem com mais segurança as tarefas prioritárias, considerando prazos, datas e outras interveniências para o fechamento do seu dia-a-dia”, define Dr. Sergio Ferreira, médico do trabalho da SST (Consultoria em Segurança do Trabalho e Perspectiva Saúde Ocupacional). “A sobrecarga no trabalho desarmoniza a pessoa com o ambiente, abrindo caminho para o aparecimento das doenças. Inicialmente, com vagos sintomas de mal-estar psicológico e, a seguir, com sintomas orgânicos, como distúrbios do sono, dor de cabeça, disfunção digestiva, podendo evoluir para doenças bem definidas como hipertensão, diabetes, gastrites, úlceras de estômago e outras”.

O papel da empresa

A empresa também deve colaborar com o bem-estar de seus funcionários, acompanhando sua rotina de trabalho e mensurando o quanto cada profissional está apto às atividades que lhes são atribuídas, adequando o tempo de execução e o nível de desempenho às possibilidades de crescimento, à necessidade de novas contratações ou ainda de remanejamento de equipes. Tornar o trabalho dos colaboradores algo mais agradável e menos estressante também é fundamental para o desenvolvimento da organização, por isso determinados fatores de desmotivação ou excesso devem ser constantemente avaliados.

Para Nelson Fender, professor de Planejamento e Gestão de Carreira da Veris Faculdades, a empresa deve ter um número adequado de profissionais, pois só assim evitará sobrecarga para um ou outro. “A organização tem que estar atenta e analisar se ela tem um número suficiente de pessoas para atender as demandas internas. Não adianta ocorrer um aumento na demanda e manter o mesmo quadro, já que o profissional não conseguirá suprir com suas atividades”, explica. “Isso, inclusive, é prejudicial para a organização, uma vez que uma pessoa cansada é mais suscetível a erros, a falhas e a assumir acordos que não foram bem pensados ou elaborados. A empresa deve se prevenir e evitar isso, até porque hoje se fala muito sobre qualidade de vida, mas não há como mensurar até que ponto isso realmente acontece dentro das organizações”.

A adequação das equipes, o treinamento continuado e a melhoria do processo de trabalho são fatores fundamentais para as rotinas de trabalho não tomarem conta da vida do profissional, segundo Dr. Sergio. “O papel das organizações para minimizar o sofrimento no trabalho, neste corre-corre do mundo atual, é muito importante. Entre as boas práticas, está o desenvolvimento de programas que promovam o bem-estar pessoal, a qualidade de vida no trabalho e a melhoria da saúde das pessoas, para que elas estejam mais equilibradas e saudáveis. Acho interessante as empresas investirem um pouco mais de dinheiro em desenvolvimento pessoal, para que as pessoas possam enfrentar com mais naturalidade as jornadas de trabalho”.

Fonte: Catho
Imagem: Google

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