O trabalho, a ocupação e o emprego: Uma perspectiva histórica

 

O trabalho, a ocupação e o emprego:  

Uma perspectiva histórica 

Aimoré Woleck

Até o início da Idade Moderna, o entendimento da palavra trabalho era diferente do entendimento que se tinha de ocupação. Atualmente, o conceito de ocupação é associado ao termo trabalho e emprego. 

Na Modernidade, gradativamente, o trabalho foi sendo compreendido como ocupação econômica, transformando-se em emprego. Essa categoria passou a ser entendida como trabalho pago em dinheiro, fato típico do capitalismo. Também dos relatos históricos se extrai que, quase sempre, o trabalho e/ou a ocupação passaram a ser sinônimos de emprego. É no final do Século XIX, mais precisamente, que se dá a transformação do trabalho em emprego, em emprego protegido ou emprego com status, conduzido como compromisso social. A noção de emprego estava associada à estabilidade, previsibilidade e certeza. (ALBORNOZ, 1988, p.96). 

Com o avanço tecnológico e sua reestruturação, o emprego migrou da indústria para os serviços, formais ou informais. No mercado em transformação, tornou-se instável e autônomo. No momento atual, além da eliminação de vagas no setor privado, a privatização de empresas públicas que, de forma direta ou indireta, demitiram em massa. (TOFFLER: 1995, p.51). 

Outra transformação passou a ocorrer com o trabalho humano, entendido como emprego, com o avanço tecnológico, está ameaçado e, até, sendo eliminado do processo de produção da era da microeletrônica e da automatização. Diante do que foi discutido, depreende-se que o entendimento do que seja emprego e dos conceitos a ele relacionados é extremamente instável. (RIFKIN: 1995, p.71). 

No momento atual, se cada sociedade não criar estratégias e políticas adequadas ao trabalhador, corre-se o risco de retornarem formas primitivas de exploração do trabalho e de aprofundamento do caos social. Por outro lado, o avanço tecnológico poderá pôr fim à concepção de trabalho como “sofrimento”. A automação do trabalho não se fará em benefício da condição humana enquanto a lógica da civilização permanecer na concepção de exploração do trabalho humano. É preciso construir, com o cidadão, um novo modelo de vida e de trabalho. 

Nos dias de hoje, o emprego constitui, para uma grande maioria da população brasileira, a única fonte de distribuição de renda e, consequentemente, a única forma de sobrevivência. As saídas para os impasses atuais são mais relacionadas a concepções e opções políticas civilizatórias do que produzidas por determinismos históricos. Por isso, a empregabilidade passa pela construção social: não bastam talentos, se não houver oportunidade. Convém lembrar a importância de as organizações formais desenvolverem os valores comunitários no local de trabalho, para desenvolverem, também, a empregabilidade de seus membros. Sem essa nova relação de valores, as organizações não se transformarão e não haverá, em seus espaços, oportunidades para que as pessoas possam exercer a empregabilidade, conforme o termo foi conceituado ao longo deste argumento. 

Referências:
ALBORNOZ, Suzana. O que é trabalho. 3.ed. São Paulo: Brasiliense, 1988.
TOFFLER, Alvin. A terceira onda. 21.ed. Rio de Janeiro: Record, 1995.
RIFKIN, Jeremy. O fim dos empregos: o declínio inevitável dos níveis dos empregos e a redução da força global de trabalho. São Paulo: Makron Books, 1995.
Fonte: Artigo O trabalho, a ocupação e o emprego: Uma perspectiva histórica de Aimoré Woleck
Imagem: Google

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