Convivendo com a competição

Convivendo com a competição

Maiara Tortorette

O mercado de trabalho está cada vez mais concorrido, no entanto, a busca e conquista do emprego é somente o princípio da competitividade profissional. Dentro das organizações, essa também é uma prática comum e não se pode definir o ônus desta competição, senão diante do contexto e objetivos a que se propõe alcançar.

Em uma equipe de vendas, por exemplo, estimular a competição é extremamente saudável, aumenta a probabilidade de crescimento nos resultados e premia os profissionais de melhor desempenho. No entanto, no caso da disputa por uma promoção, por exemplo, a situação pode ser desagradável e criar um clima negativo dentro da empresa e entre os colaboradores.

Orlando Pavani Junior, CEO da Gauss Consulting, acredita que com regras bem definidas e de comum acordo, uma disputa pode ser saudável tanto à empresa quanto aos colaboradores. “O que traz sucesso e saúde refere-se preponderantemente ao compartilhamento livre dos critérios adotados para a competição meritocrática (sistema onde o mérito pessoal determina a hierarquia), o que, infelizmente nem sempre acontece. Ou seja, as empresas estabelecem critérios competitivos sem entrar em acordo com todas as partes interessadas”.

É importante que todas as competições, principalmente as que acontecem dentro do ambiente corporativo, sejam passageiras, pois a partir do momento em que se tornam parte da rotina dos profissionais, com certeza poderão trazer consequências negativas. De acordo com Ilíada de Castro, professora da Fundação Vanzolini, os grupos podem competir entre si, no entanto, o trabalho em equipe e a cooperação são fatores fundamentais para o sucesso de qualquer empresa nos dias de hoje.

“Fala-se muito em competitividade. Mas, curiosamente, as empresas vêm aprendendo que o trabalho em grupo, quando adequadamente conduzido, produz um diferencial competitivo”, afirma Ilíada. “Dentro das organizações, trabalha-se o conceito de que as empresas não são uma junção de departamentos, e sim um organismo vivo, uma unidade que precisa funcionar em harmonia para poder competir em boas condições no mercado. Parece contraditório, mas não é: a competição existe e pode ser útil no sistema em que vivemos, mas a cooperação é que irá fazer a diferença”.

Conviver com a competição é algo necessário a todos, uma vez que ela está presente em grande parte das situações, seja na vida pessoal ou profissional. A motivação pode ser trabalhada neste contexto sempre que existir uma disputa saudável entre as pessoas, em busca de um resultado que no final beneficiará a todos, e está cada vez mais abrangente, atingido a todas as áreas e níveis hierárquicos.

“A tendência é que a competição aconteça com todos os níveis”, destaca Orlando. “Cada vez mais os especialistas em gestão estão pensando e desenvolvendo formas de estimular a ‘COOPETIÇÃO’ para todas as funções e cargos da estrutura organizacional, seja por meio de treinamentos, gincanas ou até mesmo jogos”.

Competir sem ultrapassar limites e valores!

O gestor tem um papel decisivo quando se trata de competições dentro da organização. A forma como o líder administra essa questão, pode despertar uma rivalidade ou um clima saudável entre os “concorrentes”. O mais indicado é que, ao final, todos fiquem satisfeitos e que a equipe seja reconhecida, independente do resultado alcançado.

“Quem ocupa o cargo de líder dentro da empresa deve conhecer de que modo poderá obter o melhor das pessoas, estimulando a criatividade e competência individual junto à motivação no trabalho, como meio de trazer desenvolvimento pessoal e profissional a cada funcionário, sem estimular a competição interna, mas a colaboração do grupo”, define a palestrante Eliana Saad.

Criar situações de conflito ou passar por cima de determinados valores para se destacar dentro de uma competição, seja ela qual for, não é a melhor maneira de conquistar algo. Para que tudo ocorra de maneira adequada, é necessário que cada um dispute por meio de seus próprios méritos, e, principalmente, que aceite quando o resultado não for positivo.

“Um profissional deve se destacar pelas competências técnicas e interpessoais”, esclarece Ilíada. “Para se aperfeiçoar constantemente, o profissional precisa estar disposto a aprender – o que exige humildade – e motivar-se – o que exige visão positiva de futuro. A comparação deve ser principalmente consigo mesmo. ‘O que eu melhorei hoje?’, ‘O que planejo melhorar amanhã?’. Assim competimos com nossos desempenhos anteriores, buscando excelência naquilo que nos propomos a fazer”.

Fonte: Jornal Carreira & Sucesso – 399ª Edição
Imagem: Google

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: