Sabedoria para conduzir equipes

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Sabedoria para conduzir equipes

Caio Lauer

Assertividade, de acordo com o dicionário Aurélio, é definida como, afirmação, asseveração, alegação, argumento. No meio corporativo, um profissional certo de suas atitudes, com diálogo aberto e com espírito de liderança é cada vez mais procurado. Após a quebra do paradigma de que chefes devem ser temidos pela sua posição na empresa, perpetua-se o conceito do gestor participativo, transparente, preocupado com resultados e alinhado aos valores organizacionais: o líder assertivo.

A preocupação em identificar este profissional por parte da companhia deve existir desde a contratação, nos processos seletivos. Uma corporação com política e cultura claras e com sua governança corporativa bem estruturada deve buscar esse perfil de candidato já nas entrevistas e testes comportamentais, sempre baseados em situações vivenciais e avaliações de competências. Outra forma de moldá-lo é por intermédio de avaliações de desempenho, pesquisa de clima e por feedbacks aplicados pelos superiores.

Os próprios líderes estão sendo estimulados a repensar esse modelo. Uma nova geração de profissionais surgiu – conhecida como geração Y, e caracterizada pelas ambições e felicidade no trabalho – e existe a dificuldade de adaptação ao estilo tradicional de liderança, focada na submissão e busca, exclusivamente, de metas e resultados. A autoavaliação e desejo de mudança é essencial para os gestores dessa natureza, e esse novo comportamento exige do profissional uma disposição para sair da zona de conforto e coragem para correr riscos na adoção de novas atitudes e comportamentos em prol da equipe. “Ele deve saber qual é o perfil de competências desejado para que ele possa identificar seus ‘gaps’ e seus pontos fortes. Além disso, precisa mudar suas crenças restritivas e impeditivas de se tornar assertivo e mudar seu olhar para o papel do líder”, aponta Vera Martins, professora da Fundação Vanzolini. Ela ainda observa que se faz necessário o conhecimento dos novos comportamentos a serem incorporados e treinar muito para desenvolvê-los em si, sozinho ou com o apoio de um coach.

Uma comunicação clara e bem desenvolvida é premissa para a aplicação da assertividade. É possível relacionar essa competência não apenas na forma de ser claro, mas também no poder de persuasão e convencimento. Existem líderes muito objetivos e que podem aparentar certa insensibilidade. São tão diretos nas mensagens que parecem não se envolver com seus liderados. Já outros sabem lidar melhor com pessoas, trabalham muito com o diálogo e com o envolvimento humano. “A comunicação assertiva começa pelo uso adequado das palavras. Se você construir frases de acusação e julgamento do outro, está fadado a criar conflitos desnecessários”, alerta Vera Martins. Veja alguns identificados pela professora:

Tom de voz – é seguro, confiante, uniforme, firme, modulado, relaxado e calmo.

Postura corporal – A linguagem corporal é descontraída e relaxada, com movimentos abertos. Usa uma postura natural, bem posicionada, inclinada para frente, autoconfiante, ereto, olhar firme e intermitente.

Expressões faciais – Direto, autêntico, risonho e ar de feliz.

Mãos e braços – seus movimentos são abertos, informais, espontâneos e despreocupados.

O oposto da assertividade pode ser classificado como passividade. O líder que não se posiciona e não se afirma perante uma situação deixa a equipe sem norte. “Quando o gestor não se impõe e não deixa claro seus objetivos para uma equipe, certamente esse grupo de colaboradores vai se sentir perdido porque não sabe a opinião e pensamento do seu chefe”, alerta Wilson Lourenço, sócio diretor da Compass, consultoria de desenvolvimento humano, empresarial, gestão de pessoas, liderança e coaching executivo. Já Vera classifica esse perfil de colaborador como ‘tóxico’. Segundo a professora, existem alguns comportamentos típicos como: postura arrogante, tom de voz alto, não escutar a equipe, aplicar feedback apenas dos pontos negativos, não ser flexível quanto a prazos e erros, e não tolerar enganos em hipótese alguma. “Além de tornar difícil a vida da equipe, também sofre pela pressão de ter que ser competente e entregar resultados”, completa.

Como lidar com conflitos

É utópico imaginar um local de trabalho onde todos pensem e trabalhem da mesma forma, e os atritos entre os profissionais acontecem na rotina de qualquer organização. O líder assertivo encara essas desavenças e problemas de maneira madura. O profissional que usa a comunicação agressiva expõe negativamente as pessoas, tornando o conflito ainda mais destrutivo. “Se o gestor partir do princípio de que não é respeitado pelo seu superior na empresa, e por isso deve tratar seus subordinados mal também, o fato é que ambos têm os mesmo valores e atitude”, afirma Wilson Lourenço. Para ele, o profissional deve criar uma maneira de se relacionar com o grupo de forma produtiva, transparente, com comprometimento e cumplicidade.

Gerir pessoas significa estimular o envolvimento e o desenvolvimento delas, na prática de ações claras e justas. “Quando, na empresa, existe uma relação assertiva entre os colaboradores, os processos fluem naturalmente, os problemas são resolvidos sem estresse desnecessário e, evidentemente, a produtividade aumenta”, finaliza Vera Martins.

Fonte: Jornal Carreira & Sucesso – 399ª Edição
Imagem: Google

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