Aprenda a analisar uma proposta de emprego

Aprenda a analisar uma proposta de emprego

Aprenda a analisar uma proposta de emprego

Na onda de perspectivas otimistas para o Brasil, a tendência para os próximos meses é uma disputa mais acirrada por profissionais com altíssima qualificação.

Para vencer a maratona pelo passe dos melhores, as empresas vão apostar alto com pacotes de encantar os mais céticos.

Quem entra na lista dos mais cobiçados do mercado precisa ter muito juízo para não cair nos encantos (e no glamour) das promessas de contas bancárias mais avantajadas.

“São outros fatores que irão indicar se a movimentação será consistente”, afirma Fabio Padovani, sócio da consultoria 2GET.

Por isso, enumeramos uma análise que todo profissional deve fazer antes de aceitar uma proposta de emprego. Confira nas próximas páginas.

1. Finanças saudáveis

Investigue como anda a saúde financeira da empresa que ofereceu o convite de contratação. Com base no saldo das contas e na postura dela no mercado, você poderá avaliar se a proposta é coerente com a realidade ou não. E, a partir disso, medir o grau de risco da sua movimentação.

Para chegar a esses números, vale seguir um roteiro. Se a empresa tem capital aberto, cheque as informações dela no site da CVM. Basta clicar no item “ITR, DFP, IAN, IPE, FC. FR e outras Informações” na página inicial e procurar pela companhia.

Converse com bancos, fornecedores ou outras empresas que mantém relações com a empresa contratante. Cheque se ela anda com as contas em dia. Funcionários e ex-funcionários também são boas fontes.

Se a empresa está passando por um processo de reestruturação, os riscos podem ser maiores. Por isso, é essencial avaliar a coerência do programa de reestruturação da companhia.

2. Cultura e coerência

O próximo passo é conhecer profundamente qual os valores práticos e a lógica de negócios adotada pela empresa.

Segundo Marcos Bruno, consultor do Instituto Pieron, as relações que a empresa mantém para além do próprio negócio, como projetos sociais ou ambientais, podem dar pistas de qual a verdadeira essência dela. “Isso faz uma grande diferença no tipo de envolvimento e trabalho que você vai ter”, diz.

Após compreender a lógica por traz de cada ação da companhia, olhe para dentro de você mesmo. Veja qual é seu estilo profissional e calcule a probabilidade de ser dar bem no novo contexto.

3. Cartela de responsabilidades

“Muitos que aceitam a proposta apenas pela questão salarial acabam se frustrando”, afirma Padovani. Isso se deve, explica ele, basicamente porque os profissionais não buscam saber quais as expectativas da empresa com relação ao cargo.

Por isso, é necessário compilar quais as responsabilidades e os desafios que você poderá encarar na nova cadeira.

Novamente, vale fazer um check-up de suas habilidades e objetivos. Feito isso, avalie se você está preparado para os desafios que virão a seguir ou se seus talentos serão subutilizados.

4. Estilo de gestão

Chega, então, a hora de compreender a mente e o estilo de liderança do gestor a quem você irá se reportar, caso aceite a proposta. É a partir deste fator que você poderá prever seu grau de autonomia e até seu futuro estilo de vida.

Se o convite é para um cargo de diretoria, busque também compreender a composição acionária da empresa, aconselha Bruno, do Instituto Pieron. De acordo com ele, a postura do conselho pode dar indícios do grau de autonomia que você terá. Por isso, procure se informar, por exemplo, sobre se o primeiro executivo tem amplo mandato. Se sim, há risco de sua liberdade de atuação não ser tão alta.

5. Expectativas pessoais

“A boa proposta de emprego é aquela que contribui para que sua carreira evolua na direção com que você planejou”, afirma José Augusto Minarelli, presidente da consultoria de outplacement Lens & Minarelli.

De acordo com Aline Zimermann, sócio-diretora da Fesa, o segredo é se questionar sobre o alinhamento entre essa movimentação e o próximo passo previsto para a sua carreira. “O profissional deve olhar o contexto em que ele está inserido”, diz.

A estratégia, portanto, é pensar no longo prazo. “Faça um balanço das consequências dessa decisão para um futura movimentação dentro ou fora da nova empresa”, diz Padovani.

6. Ciclo

Avalie também se é hora de deixar o atual cargo. “Toda carreira é composta por ciclos”, diz Minarelli. Segundo ele, na construção da trajetória profissional, é preciso atenção para não deixar projetos e estágios em aberto.

“Se cumprir todos os ciclos ao longo da sua carreira terá resultados consistentes e completos para contar nas próximas movimentações profissionais”, explica Padovani, da 2GET.

Diante do convite para assumir um cargo em outra empresa, avalie se você já finalizou sua missão na atual. Dessa forma, cheque se todos projetos foram concluídos e se o caminho para a sua sucessão já está desenhado.

7. Contexto familiar

Verifique se seus objetivos pessoais são coerentes com as exigências da empresa para o cargo em questão.

De acordo com especialistas, esses dois aspectos devem estar alinhados. “O profissional tem que entender o atual momento de vida e prever quais mudanças serão demandadas para o perfil familiar com o novo emprego”, diz o sócio da 2GET.

Por isso, no balanço final da sua decisão, aspectos como mudanças de cidade ou país e exigências na carga de trabalho devem ser considerados.

8. Perspectiva

Quer minar o risco de afundar junto com a nova empresa? Então, avalie previamente quais a perspectivas da companhia no mercado.

Para isso, é preciso ir além da lógica atual de negócios do grupo e investigar as ações de longo e médio prazo projetadas pela companhia.

Primeiro, foque nos projetos em desenvolvimento. Avalie qual a viabilidade de cada um deles no mercado e se já foram regulamentados. Considere também os planos de difusão para cada um desses novos produtos.

Feito isso, parta para uma análise aprofundada da infraestrutura atual da empresa e dos planos de investimentos. A cadeia logística sustenta todos os projetos? A empresa, em si, tem viabilidade no longo prazo?

“A ideia é construir uma visão macro do grupo”, diz Padovani.

9. Olho na concorrência

Nesse ponto, faça uma análise do segmento em que a companhia está inserida e avalie as reais condições de crescimento dela neste contexto.

“O posicionamento da concorrência vai indicar o que é esperado daquele setor”, diz Aline, da Fesa. Confira se as empresas tem projetos de expansão, se há rumores de novas fusões ou investimentos.

Busque informações sobre a movimentação do mercado e as previsões para o futuro. Fique de olho também nos segmentos das empresas fornecedoras e compradoras dos produtos oferecidos pela companhia em questão.

10. Pacote de compensações

Finalmente, o pacote de remuneração. Isso mesmo, de acordo com os especialistas, este deve ser o último fator da sua avaliação.

Em média, para cargos executivos, cada movimentação gera um aumento de cerca de 15% a 30% no salário atual, estima Padovani.

No entanto, de acordo com o especialista, o profissional não deve se iludir apenas com os números. “Ele deve entender como o pacote será estruturado e entender todos os mecanismos que irão recompensar seu desempenho na empresa”, diz Aline.

A começar pelos incentivos de curto prazo. Questione o recrutador sobre os critérios utilizados para a participação nos lucros da empresa ou do bônus. Pesquise qual a meta para os salários variáveis deste ano e a remuneração oferecida nos últimos três anos para profissionais com cargo semelhante ao seu.

Já para os de longo prazo, como o benefício de stock options, procure entender qual o período de investimento demandado, por exemplo.

Além disso, dê preferência para pacotes salariais feitos por escrito. “Até porque é preciso considerar a possibilidade de que o recrutador não continue na empresa”, diz Minarelli.

Fonte: Revista Exame
Imagem: Photobucket by RobertodeAraujoCorreia

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