Vaidade

Vaidade

A Wikipédia, enciclopédia livre da internet, descreve a vaidade da seguinte forma: “chamada também de orgulho ou soberba, é o desejo de atrair a admiração das outras pessoas. Uma pessoa vaidosa cria uma imagem pessoal para transmitir aos outros, com o objetivo de ser admirada. Mostra com extravagância seus pontos positivos e esconde seus pontos negativos. (…) Uma pessoa vaidosa pode ser gananciosa, por querer obter algo valioso, mas é só para causar inveja aos outros.”

Já o dicionário Aurélio, descreve como “desejo imoderado de chamar atenção, ou de receber elogios. Ideia exageradamente positiva que alguém faz de si próprio; presunção, fatuidade, gabo.”

Independentemente da forma como é descrita, vaidade é um tema complexo para se abordar. Afinal, pode passar despercebida pelo vaidoso, enquanto incomoda bastante quem se sente obrigado a lidar com ela dia após dia.

Jean de La Bruyère (1645 –1696), questionando os costumes e os homens da França do século XVII, movido por uma tendência moralizadora e reformista, dedicou-se ao estudo e observação das pessoas em “Os Caracteres”.

O trecho abaixo, extraído do capítulo “Do Mérito Pessoal” é uma das abordagens sobre o tema vaidade, presente em todo o estudo.

“Menipo é o pássaro enfeitado com penas alheias: não fala, não sente; repete sentimentos e discursos, serve-se até com tanta naturalidade da inteligência alheia, que é o primeiro a se enganar, e muitas vezes pensa dar sua opinião ou explicar seu pensamento, quando não é mais que o eco de alguém que acaba de deixar.

É um homem que aparenta bem um quarto de hora seguida; no momento seguinte se rebaixa, degenera, perde o pouco verniz que um pouco de memória lhe dava e se mostra tal qual é; só ele ignora quanto está abaixo do sublime e do heróico; incapaz de saber até onde se pode ter espírito, pensa ingenuamente que o seu é todo o espírito que os homens podem ter: por isso tem o ar e o aprumo de quem nada mais deseja nesse capítulo, e nada inveja de ninguém. Frequentemente, fala sozinho e não se esconde para isso: quem passa, vê; parece sempre tomar partido, ou decidir que tal coisa é incontestável.

Cumprimentá-lo alguma vez é metê-lo em dificuldade para saber se deve ou não responder à saudação; e enquanto delibera, já se está fora de alcance.

A vaidade fez dele homem correto; colocou-o acima de si mesmo, fez com que se tornasse o que não era. Julga-se, ao vê-lo, que só está ocupado com sua pessoa; sabe que tudo lhe assenta e que os enfeites lhe vão bem; pensa que todos os olhares estão fixados nele, e que os homens se revezam para contemplá-lo.”

O texto escrito na segunda metade do século XVII evidencia cultura e valores morais diferentes do que vivemos hoje. Mas, apresenta uma essência de ser humano que pouco se alterou. Quatro séculos depois, esse texto parece uma maneira poética de descrever uma pessoa vaidosa que não tem consciência de seu jeito de ser.

Será que conseguimos saber e assumir quando somos ou estamos vaidosos? Será que oferecemos abertura suficiente para que outra pessoa possa abordar o assunto conosco? É aparentemente simples julgar a vaidade alheia. Mas, conseguimos identificar o nosso próprio grau de vaidade?

Fonte: Blog do Ombudsman Itaú
Imagem: Google

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: